Uivo Baiano (Prévia) from emdias on Vimeo.
SIGNOS, CORPOS E INTERRUPÇÕES
Posted: 18 18UTC Outubro 18UTC 2011 in Poesia devaneio ensaio Por: Hélio AguiarMeditações acerca da peça Arbítrio
Por Hélio Aguiar
Para quem chega na sessão das 18:00 do espetáculo Arbítrio, é privilegiado no início da peça com uma trilha sonora espontânea, não, não é a trilha sonora do espetáculo, mas, trilha sonora da rotina normal da região do Largo 2 de Julho. Os sinos das igrejas que rodeiam o bairro, ecoam, principalmente na rua Areal de Cima, onde acontece o espetáculo: na atemporal, velha e “triste cidade” histórica de Salvador, localizado na antiga casa preta nº40.
Depois do sino ecoar, à maneira medieval, fomos convidados a adentrar no casarão antigo – esperei 10 minutos depois do sino da igreja tocar, mas o espetáculo Arbítrio não foi tão católico no sagrado horário da Ave Maria; nem ao sino das igrejas, no que deu um intervalo de 10 minutos para eu ir tomar um café na padaria na esquina. Os personagens “shakespearianos” estavam esquentando em latim, alemão, iorubá, ou outras ladainhas dionisíacas para o início da peça – para salvar nossas almas da ignorância do dia a dia e nos lançar na sorte de nossos Arbítrios diante da encenação.
Já dentro da casa preta, sendo convidado muito gentilmente por uma das personagens, em uma das primeiras salas da casa que acontece o primeiro ato, me senti realmente um convidado na casa de uma família, muito estranha por sinal; parada no tempo; altamente religiosa e, à parte de tudo e de todos. Como louva Jim Morrison na música The Spy, o espectador é convidado a ser um verdadeiro “Espião na casa do amor” e participar virtualmente das cenas.
Na família/casa, pouco se ver a luz do sol e a beleza do dia-a-dia, do que está fora. Todos eles estão submersos no metafórico “mito da caverna” de Platão, onde o “mundo das idéias” e da perfeição são os fervores religiosos, a fé, os signos – e o comprimento das ordens outrora do patriarca morto.
A idéia da liberdade incomoda bastante o espectador em algumas cenas, pois não há liberdade numa “caverna” de uma família sempre em contradições e na busca do poder sobre o outro e suas interdependências. Estamos no momento da cena, participando da agonia dos familiares, sofrendo com eles, virtualmente, é claro.
No entanto, o ponto instigante e inovador do espetáculo, é que a trama foge da “narrativa” normal-linear, os diálogos não tem uma interpretação clara desenhada, nada muito palpável – vai muito além do tradicional modelo de comunicar ao espectador, ou, sendo mais claro, o ato não é explicado, não é uma história “recortada”, porém, representada ao modo do espetáculo Arbítrio. Cabe ao “espião na casa do amor”, entender: das sutilizas e propostas da dramaturga Bárbara Pessoa e do diretor artístico Diogo Pinheiro.
Como diz um personagem em uma das cenas: ESTÃO TODOS EQUIVOCADOS.
Só assistindo para entender o equívoco. “Ou não” Entender.
Raga Kirwani – Por Daniel Costa
Posted: 3 03UTC Outubro 03UTC 2011 in Poesia devaneio ensaio Por: Hélio AguiarNeste vídeo Daniel Costa toca a Raga Kirwani.
O vídeo traz à reflexão sobre esta segunda dimensão, que é o nosso reflexo no espelho. O sitarista nos quadros da filmagem mergulha em sua própria imagem, ou melhor, dos seus dons e de toda a magia da música indiana que toma conta e o conduz em seu momento de torpor musical – quebrando o antigo mito e indo muito mais além da paixão de Narciso. A idéia de infinitude do sujeito artístico, também faz parte do conceito do vídeo; brindando na cena final, quando Daniel caminha com sua Sitara por uma rua de São Paulo.
Edição/Imagem: Hélio Aguiar
Sitara: Daniel Costa
Local de Filmagem: São Paulo
BREVE CONSIDERAÇÕES/VISÕES DA PEÇA PÓLVORA E POESIA
Por: Hélio A.
Ao entrar no teatro, o guitarrista que fazia a trilha sonora da peça, fumava, entrando num clima rock, os atores já se encontravam no palco, já no limiar dos personagens. O cenário e o teatro combinava com o tom do Século XIX, com um clima de taverna – e sacral também, pelo teatro ser numa antiga igreja da Barroquinha.
Na peça, envolve um clima trágico entre Rimbaud e Verlaine, também a questão implícita do destino libertino do poeta Rimbaud. Do outro lado, a inconstância de Verlaine diante de sua esposa Mathilde, dividida pela sua paixão pelo poeta maldito. No começo, o ator Caio Rodrigues (Paul Verlaine), demora um pouco pra encarnar o personagem, no caso, de uma forma visceral e dionisíaca. O ator peca por parecer estar mais na atmosfera apolínea, na qual, difere do seu personagem; seria a outra forma a mais correta, de incorporar o poeta, apesar que, o poeta Paul Verlaine ter um comportamento mais polido que Rimbaud e exigir um ethos mais apolíneo. Diante desse polimento excessivo, deixemos para o Verlaine em “sua vida real”. No palco esperamos vida, emoções fortes e não polidez em demasias.
Não demora muito do ator esquentar, entrar no clima dionisíaco que o teatro canta, pois o próprio desenrolar da trama exige o esforço do ator pra se lançar no abismo de paixão e loucura, que a história junto ao poeta Rimbaud ajuda muito com sua presença embriagante, “trágica” e caótica na vida de Verlaine; o influenciando, abrindo sua mente com poesias mais livres e soltas, até contrariadamente, o poeta maldito falando sobre o amor à sua maneira. Verlaine entra na dança conforme o Rock’n Roll do poeta, e enlouquece de desejos e paixões por seu amigo, acompanhado dos envolventes e consistentes toques de guitarra da trilha sonora da peça, que enriquece muito o cenário por sinal.
O que me chamou atenção, na releitura da história dos dois Poetas em Pólvora e Poesia, é que mostra Verlaine em outra roupagem, um Verlaine mais ousado, diferente de outras reproduções, e até da própria fonte da literatura que passa ao leitor, que Verlaine seria uma grande presa de Rimbaud – e vítima de toda a história. Nesta peça ao contrário, coloca Verlaine em outra posição, um Verlaine que no desenrolar da história vem a ser mais visceral, vingativo, e às vezes é o próprio provocador de toda esbórnia entre eles, mesmo sendo o princípio de sua embriaguês e loucura, a paixão e a beleza de Rimbaud.
A peça não tem a emergência de ter um personagem principal, pois, as genialidades se confundem. A ausência da personagem de Mathilde é de fato simbólica, na peça não passa de um fantasma que atormenta Verlaine, e essa ausência foi muito bem colocada no palco – Verlaine conversa em solilóquios esquizofrênicos durante a peça, com seu duvidoso amor por Mathilde, junto, sua amizade e amor por Rimbaud, torna a trama entre os dois poetas, absoluta e inconsequente.
Excesso seria a palavra mais correta para definir este caso/peça, e sentir, literalmente o cheiro de “Pólvora e Poesia” no ar do teatro Baiano.
Dorian Gray
Posted: 5 05UTC Maio 05UTC 2011 in Poesia devaneio ensaio Por: Hélio AguiarEtiquetas:Dorian Gray, Filme Dorian Gray, Poesia
ABSTRAÇÕES EM TORNO DO FILME DORIAN GRAY
(Declarações Poéticas de um Crime sem Perdão)
Por: Hélio A.
Matei o corpo do meu criador, o grande artista e escultor da minha juventude.
Banhei-me com o seu sangue velho, sujo, na minha face juvenil, portanto, agora, tomo um bonde com um olhar de criança, junto à minha alma anciã, com experiências de outras décadas.
Tudo é novo e velho, o azul já não é mais o mesmo, as cores falam em outras línguas para mim – como elas sofressem a mesma transmutação da minha alma. Mas é só o meu olhar, meu olhar dúbio sobre às cores, que um deus brincalhão me deu. No entanto, Aquela criança alí do lado olha pro céu, o azul que ela enxerga, é como se fosse único, a cor do primeiro olhar, virgem, enquanto eu olhando as cores em duas.
É a maneira do universo falar comigo agora. Um azul pro bem e um azul pro mal. Um céu do paraíso e outro céu do inferno. Um amor e uma morte, que nem tenho culpa desta maldição que o destino me deu desde criança. Mato a mim mesmo, e por fim, rejuvenesço na obra do meu criador.
A ilusão as vezes é necessária, estamos a todo momento nela sem ao menos percebermos. É a poesia para o cético, é o brinquedo da criança e a reza daquele quem crer. A ilusão é um fenômeno, um efêmero devaneio. É a metafísica para os filósofos, também a rara chuva no sertão. Especial por ser rara, por ser somente uma vez durante o ano, mas é chuva! Que faz germinar algumas sementes e, traz alegria durante o seu espetáculo primaveril.
Ilusão é tudo que é raro e efêmero, e não podemos tocar, nem guardar em nossas lembranças. É uma estrela cadente riscando o céu.
E o brinde na mesa se fez, somente ela esquecida não brindou, ela não percebeu. A rua toda festejava naquela noite, mas, o seu sonho era mais bonito que o brinde de todos, mais alegre que a banda que passava, mais festivo que o brinde na mesa. No entanto, nem a banda, nem a mesa a percebeu, somente eu.
Uma nova forma do blog (em dias) comunicar-se, utilizando da arte Vjing.
Um mix de diversas cenas de filmes, sendo que, somente, a primeira imagem muito amadoramente feita por mim, de uma performance artística na Av. Paulista.
Música: Undenied – Portishead





