ABSTRAÇÕES EM TORNO DO FILME DORIAN GRAY
(Declarações Poéticas de um Crime sem Perdão)
Por: Hélio A.
Matei o corpo do meu criador, o grande artista e escultor da minha juventude.
Banhei-me com o seu sangue velho, sujo, na minha face juvenil, portanto, agora, tomo um bonde com um olhar de criança, junto à minha alma anciã, com experiências de outras décadas.
Tudo é novo e velho, o azul já não é mais o mesmo, as cores falam em outras línguas para mim – como elas sofressem a mesma transmutação da minha alma. Mas é só o meu olhar, meu olhar dúbio sobre às cores, que um deus brincalhão me deu. No entanto, Aquela criança alí do lado olha pro céu, o azul que ela enxerga, é como se fosse único, a cor do primeiro olhar, virgem, enquanto eu olhando as cores em duas.
É a maneira do universo falar comigo agora. Um azul pro bem e um azul pro mal. Um céu do paraíso e outro céu do inferno. Um amor e uma morte, que nem tenho culpa desta maldição que o destino me deu desde criança. Mato a mim mesmo, e por fim, rejuvenesço na obra do meu criador.

Amei a interpretação, Oscar Wilde e Dorian Gray, sempre orbitando sobre o contemporâneo.