Desconstrução da Beleza – Breve observação do caso Bárbara da peça Amor Imperfeito.

amor-imperfeito_10532

Por Hélio Aguiar

Bárbara é uma mulher esteticamente dentro do padrão de beleza atual da sociedade, porém ela tem esse estranho desejo de querer se modificar a um padrão de beleza inferior ao seu, deseja ficar feia, isso mesmo! Ela procura o Dr. Bruno e faz essa proposta um tanto delicada para ele, que, segundo o médico, foge até mesmo do padrão e das regras científicas. De princípio, Bruno sugere à ela procurar um psicólogo, pois ela aparenta ter dismorfia corporal, uma preocupação obsessiva com algum defeito que não existe no corpo da pessoa, e um caso bem mais indicado para um psicólogo tratar ao invés de um cirurgião plástico. Bruno não acredita no caso, uma mulher linda, procurando destruir algo que lhe é inato.

Entre uma consulta e outra, Bruno se apaixona por Bárbara, conversando com ela termina descobrindo por que ela pretende fazer a tal modificação, descobre que é para obter a simples aceitação do seu marido, mesmo em “outro corpo”, mais feio, procurando valorizar mais o amor, mais o que tem por dentro do que por fora, o que soa até poético, filosófico, e digno de admiração para aqueles que não se preocupam muito com a estética.

Um fator importante dessa mudança de Bárbara é ela ter vindo de uma família rica, da alta sociedade. Bruno descobre num encontro com Aldo, marido de Bárbara, que os pais dela foram sempre distantes, seus pais lhe deram educação e luxo, mas lhe faltou o essencial para a natureza saudável de uma pessoa, faltou-lhe amor na criação, talvez esteja aí a prova do sintoma mais latente de Bárbara: desejar ficar feia, a vontade de desconstruir a aparência para buscar a essência mal cuidada quando criança. Outra questão que influencia na mudança de Bárbara, é que no passado ela sofreu um acidente de carro com Aldo, entrou em coma, acordou, mas sem nenhuma cicatriz do acidente, continuou bela e consciente como sempre, ela chega a questionar durante uma consulta com Bruno se o rosto dela fosse danificado nesse acidente, continuaria Aldo a amá-la da mesma forma quanto antes?

O sintoma de Bárbara é uma equação fácil de entender, tem várias pistas no desenrolar da trama que a levou a cometer essa desconstrução da sua beleza. Fácil de entender, mas difícil de fazer a digestão e aceitar como uma pessoa pode quebrar um paradigma de grande poder e força na sociedade, seria aí uma desconstrução de valores estéticos que estão implícitos em todos nós, até mesmo encontrados em civilizações mais antigas. Bárbara se desfaz, quebra-se por fora para buscar o que está por dentro.

‪#‎AmorImperfeito‬ ‪#‎EspaçoParlapatões‬ ‪#‎SãoPaulo‬