O Uivo Baiano tenta resgatar o poema Uivo (Howl) de Allen Ginsberg. É Uma releitura do poema do autor num curta metragem, quase fiel ao fôlego e respiração característico do autor. O vídeo retrata, fotografa a cidade de Salvador sob o prisma poético do UIVO original, porém, em outra realidade, na cidade da Baía de Todos os Santos.

Desconstrução da Beleza – Breve observação do caso Bárbara da peça Amor Imperfeito.

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Por Hélio Aguiar

Bárbara é uma mulher esteticamente dentro do padrão de beleza atual da sociedade, porém ela tem esse estranho desejo de querer se modificar a um padrão de beleza inferior ao seu, deseja ficar feia, isso mesmo! Ela procura o Dr. Bruno e faz essa proposta um tanto delicada para ele, que, segundo o médico, foge até mesmo do padrão e das regras científicas. De princípio, Bruno sugere à ela procurar um psicólogo, pois ela aparenta ter dismorfia corporal, uma preocupação obsessiva com algum defeito que não existe no corpo da pessoa, e um caso bem mais indicado para um psicólogo tratar ao invés de um cirurgião plástico. Bruno não acredita no caso, uma mulher linda, procurando destruir algo que lhe é inato.

Entre uma consulta e outra, Bruno se apaixona por Bárbara, conversando com ela termina descobrindo por que ela pretende fazer a tal modificação, descobre que é para obter a simples aceitação do seu marido, mesmo em “outro corpo”, mais feio, procurando valorizar mais o amor, mais o que tem por dentro do que por fora, o que soa até poético, filosófico, e digno de admiração para aqueles que não se preocupam muito com a estética.

Um fator importante dessa mudança de Bárbara é ela ter vindo de uma família rica, da alta sociedade. Bruno descobre num encontro com Aldo, marido de Bárbara, que os pais dela foram sempre distantes, seus pais lhe deram educação e luxo, mas lhe faltou o essencial para a natureza saudável de uma pessoa, faltou-lhe amor na criação, talvez esteja aí a prova do sintoma mais latente de Bárbara: desejar ficar feia, a vontade de desconstruir a aparência para buscar a essência mal cuidada quando criança. Outra questão que influencia na mudança de Bárbara, é que no passado ela sofreu um acidente de carro com Aldo, entrou em coma, acordou, mas sem nenhuma cicatriz do acidente, continuou bela e consciente como sempre, ela chega a questionar durante uma consulta com Bruno se o rosto dela fosse danificado nesse acidente, continuaria Aldo a amá-la da mesma forma quanto antes?

O sintoma de Bárbara é uma equação fácil de entender, tem várias pistas no desenrolar da trama que a levou a cometer essa desconstrução da sua beleza. Fácil de entender, mas difícil de fazer a digestão e aceitar como uma pessoa pode quebrar um paradigma de grande poder e força na sociedade, seria aí uma desconstrução de valores estéticos que estão implícitos em todos nós, até mesmo encontrados em civilizações mais antigas. Bárbara se desfaz, quebra-se por fora para buscar o que está por dentro.

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Quando o virtual torna-se quase real – Análise do filme “Ela”

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Por: Hélio Aguiar

Um filme que era para nos surpreender com suas avançadas tecnologias, não chega a nos surpreender tanto, já que a realidade exposta no filme não está num futuro muito distante, o diretor cria uma “realidade” mais sofisticada e parece fazer uma alusão ao que de fato está ocorrendo na sociedade contemporânea, no que diz respeito ao avanço das tecnologias e as extensões do ciberespaço. É bem exposto também, no cenário do filme, a tecnosfera futurista, onde tudo é um mimetismo do humano, onde só há espaço para a artificialidade que se confunde com o mundo real.

O filme passeia pela vida de um escritor solitário, que se apaixona pela voz de um software avançado de inteligência artificial. Theodore, personagem principal, se encontra num estado submerso de ilusões, se vê dividido entre suas lembranças do passado com sua ex-mulher, Catherine, e o seu presente com Samantha (a voz do software), que possui qualidades e sentimentos humanos capaz de amar, sofrer, ter intuições etc. A relação de Theodore com o software chega a causar até um certo incômodo, vendo-o na maior parte do seu tempo absorto no mundo virtual, chegando as vezes a trocar uma pretendente real pelo relacionamento artificial com Samantha.

Numa das cenas, Theodore conversando com sua amiga Amy, eles questionam juntos o fato do relacionamento dele com o software ser real ou somente virtual, para fomentar ainda mais a dúvida dessa dualidade, sobre o que é real e virtual, Pierre Lévy afirma que: (…) O Virtual é um espaço real. Naquele espaço significa existir, no entanto, a virtualização comprova que o fato de não estar lá não significa necessariamente que não exista.

Mesmo Pierre Lévy considerando o espaço virtual como real, nessa sua visão mais teórica, não precisamos tomar a frase no sentido literal e vivermos somente para o mundo virtual, pois podemos perceber o quanto é sintomático o que acontece no filme, a migração de Theodore do mundo real para o mundo virtual. Catherine, sua ex-mulher, chega a dizer que ele sempre quis uma esposa não enfrentando os desafios da realidade e, também, não consegue lidar com emoções reais. O filme nos leva a pensar sobre o que estamos vivendo hoje em dia, esse refúgio que procuramos para fugir da realidade. Será que todos nós não estamos trilhando o mesmo caminho solitário de Theodore, fugindo das emoções e desafios do convívio real e comum da vida?